O Ser cravado no Agora

O Ser cravado no Agora

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Em entrevista a Maristela Córdova e amigos (em 31/10/2012), Devam Bhaskar conta sobre seu processo de despertar, fala sobre aspectos de sua história com Osho, com Amma Bhagavan e os processos na Oneness University. E narra como se sente como “Oneness Meditator”.

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Devam Bhaskar conta sobre seu processo de despertar, fala sobre aspectos de sua história com Osho, com Amma e com Bhagavan. E narra como se sente como Oneness Meditator.

  • Esta entrevista foi gravada, transcrita por Veet Bhakti (Taysa da Motta) e revisada por Bhaskar com o intuito de retirar repetições desnecessários e vícios da linguagem falada, embora tenha-se procurado manter a fluência da conversa.

Maristela – Vamos vasculhar sua vida, pode?

Bhaskar – Rsrsrsrsrrs … pode.

Maristela – Em que momento você se descobriu como buscador? Em que momento começou esta jornada espiritual?

Bhaskar – Acho que só me percebi como buscador quando ouvi ou li essa palavra pela primeira vez. Mas quando ouvi essa palavra pela primeira vez eu já estava tão apaixonado pelo Osho que eu nem sabia direito o que era ser um “buscador”. Prá mim já tinha chegado, só de me apaixonar pelo Osho. Aí é que entendi que estava tudo só começando. De qualquer maneira, foi assim: quando eu conheci o Osho foi como se pela primeira vez eu tivesse visto um homem livre. E aí sim… vão ser dois processos: um é a paixão mesmo pelo homem livre porque a comparação mais parecida é como cair de amor…. Aliás, o Osho falava que não é cair de amor, é subir/crescer em amor. Então, houve ali esse primeiro momento de o homem ver o homem livre, se apaixonar pelo homem livre e aí com ele aprender que também poderia ser livre…. foi aí que nesse momento que eu comecei a olhar para dentro.

Maristela – Então, nesse momento… desde o primeiro momento que você se entendeu como um buscador, desde esse momento que começou sua jornada, que tipo de questões habitavam no Geraldinho? Naquele momento o que é que você buscava na vida, o que te ocupava….

Bhaskar – É… eu não buscava… não buscava. Absolutamente não buscava… Havia já uma vida de alguma sensibilidade… de alguma sensibilidade pelo universo religioso, mas apenas uma sensibilidade… havia uma sensibilidade para com a humanidade, para com a natureza … mas que num determinado momento da minha vida se manifestava também como preocupação política, social, pegando carona com o que estava acontecia no resto do mundo com o hippismo, com o pós-hippismo… Eu ainda era muito jovem quando comecei a fazer umas ousadas terapias grupais, familiares e de relacionamentos, algumas aventuras experimentais nesse sentido de autoconhecimento, mas não era ainda uma “busca espiritual”… isso vai aparecer na minha vida quando de repente – conhecendo o mundo, lendo coisas e fazendo terapias e processos bioenergéticos – venho a saber de Osho, e ele entra na minha vida e na vida de meus amigos mais próximos. E aí muda tudo, não tem nada mais a ver, é outra história e da terapia para a meditação vai um salto enorme! Então, desse momento, desse salto, eu posso começar a falar em busca. Porque acho que antes eu falava em cura… estas duas coisas são distintas, elas acontecem na jornada e acontecem o tempo todo, mas são dimensões um pouco distintas, duas dimensões de importância quanto ao autoconhecimento, mas quando surge a dimensão espiritual isto tornar-se uma paixão para “além da cura”, ou seja para além das circunstâncias da vida, das dores da vida, das marcas que a vida já vinha deixando. Ah!… essa surpresa de que havia também esse espaço quem me trouxe foi Osho, ainda muito jovem (com vinte anos de idade), com dois filhos pequenos, ligado ao mundo das artes, da cultura, e experimentando de tudo na era pós hippies: a liberdade no amor, as viagens com algumas drogas… e de repente aparece o Osho dizendo que um outro mundo é possível.

Maristela – Você comentou que a primeira coisa que lhe chamou a atenção quando você conheceu o Osho foi que você reconheceu ali um homem livre e houve assim algum ensinamento, algum insight que tenha lhe fisgado, um insight vindo do Osho que tenha fisgado você? Aconteceu isso? Que ensinamento?

Bhaskar –O primeiro insight é de que eu vivia numa prisão! Como inclusive Bhagavan nos diz. Então, quer dizer: quando eu vejo um homem livre, eu me reconheço na prisão. Bom… e aí eu sofro muito com isso, sofro muito… vou prá dentro, vou prá dentro, vou prá dentro… Osho me mandou para um espaço de… de olhar, olhar, olhar lá prá dentro, o que me fez sofrer muito. Vi muita mesquinharia, vi muita pequenez. Vi muita pequenez e sofri muito! Então, a presença do Osho, a presença diária dele, com os livros, com os vídeos que começavam a circular, tudo isso começava a mostrar que… eu podia… que o que eu estava investigando era a existência do “observador” disso tudo. Esse foi o primeiro insight. Do ponto de vista do ensinamento, esse foi o primeiro insight. Do ponto de vista do insight sem que dê tempo sequer prá formular qualquer ensinamento foi olhar nos olhos do Osho e ver um homem livre e me sentir pequeno. Então, o insight no sentido mais puro, sem sequer o ensinamento com palavras organizadas, foi a visão do homem livre. Mas na palavra, na compreensão também intelectual ao longo da jornada, quando comecei a entender o espaço do observador eu comecei a aprender a meditar.

Maristela – Como que você recebeu esse nome Bhaskar? O que isso representou… em que momento você se tornou Bhaskar?… É uma pergunta que todo mundo quer fazer.

Bhaskar – É?… Eu estava morando no litoral da Bahia com minha primeira esposa… Eu estava vivendo com ela e meus dois filhos na cidade de Prado, que hoje é um ponto turístico importante. Naquela época era quase uma aldeia de pescadores… Estava minha primeira esposa, meus dois filhos ainda de fraldas e… as coisas deram muito erradas ali. E aí voltei para Brasilia, doente, com uma hepatite enorme porque, ali nas festas, na beira da praia, numa cidadezinha pequena, acabei bebendo muita cachaça, chás alucinógenos e muitos etecéteras e aí fiquei com uma hepatite terrível… e a vida estava muito estranha ali naquele lugar. Então, quando eu voltei para Brasília estava muito doente de hepatite e comecei a fazer resenhas de livros para a Editora Tao – que era de propriedade de um dos primeiros discípulos de Osho do Brasil, Gyan Buddha (que já não está mais aqui com a gente). Apareceram alguns livros do Osho, mas não representaram (para mim) muita coisa num primeiro instante. Mas Gyan Buddha era famoso por ser muito mau pagador e eu precisava do dinheiro. Então, mesmo com o fígado enorme, com uma hepatite que me deixava todo amarelo, fui até a editora ver se conseguia algum dinheirinho com o amigo. Ele tinha doze fotos de Osho atrás da poltrona dele, na parede da sala… E para minha surpresa, cheguei lá falando do dinheiro que ele me devia e ele imediatamente fez um cheque com o valor total! rsrsrs. E aquilo foi quase que uma “decepção” (rsrsrsrsrs… vamos dizer assim, já que eu não esperava que fosse ser tão facil receber) . Surpreso, olhei para ele e falei: “Gyan Buddha, porque que você não me dá uma foto desse velho barbudo, você tem tantas fotos dele?!” E aí ele pegou a foto, como bom devoto, como bom discípulo, pegou uma das fotos mais bonitas que ele tinha na parede e me deu. Eu não tinha nenhum amor por Osho (Rajneesh, à época) nem nada, mas muito respeitosamente saí com aquela foto debaixo do braço, muito mais interessado e feliz com o cheque que eu tinha conseguido. Mas ao chegar em casa, eu lembrei que havia um prego assim numa portinha, numa paredinha que tinha bem na entrada do banheiro e aquele prego estava vazio e achei que ali era um bom lugar para fixar a foto Osho. Bom, uns dez dias depois, eu estava na sala, quando de repente… lá naquela paredinha… naquela foto preta e branca… os olhos do Osho bateram nos meus olhos, sem que eu tivesse ainda nenhum encantamento que houvesse acontecido pelos primeiros parágrafos que li de suas falas; foi olho no olho! E aí fiquei muito impactado com aquilo, fiquei muito impactado! Entrou um frescor diferente assim na vida… foi durante alguns minutos ou segundos, foi um frescor novo! Alguns dias depois levei uma amiga minha que era sanyasin do Osho para uma entrevista que eu ia fazer (sou jornalista) com o músico argentino Astor Piazzola, uma entrevista maravilhosa, super emocionada…. Acabou a entrevista, fomos almoçar juntos e no meio do almoço, para minha surpresa, sem a gente estar falando nada de Osho, comendo macarrão…. Ou seja, não tinha visto nenhuma luz azul, nem anjos me caíram do céu, ali numa macarronada depois de uma entrevista com o Piazzola e de repente sai da minha boca, com o verbo já no passado: “Amiga, pedi sannyas (iniciação)… a frase já saiu no tempo passado, já saiu como algo feito e aí eu fui tomado por uma paixão enorme, por uma embriaguez, um êxtase! Por uma embriaguez divina! Então, saí do restaurante correndo, rápido mesmo, paguei a conta, fui em casa com essa amiga e imediatamente vesti uma roupa alaranjada (uma camiseta velha e uma calça que eu tinha) e nunca mais deixei de vestir laranja e vermelho até que, muitos anos depois, Osho pediu que a gente usasse as cores do arco-íris e caísse no mundo. Foi assim…. rsrsrsrsrs…

Bom, e aí eu escrevi uma carta pro Osho… e no dia 6 de julho de 1982, exatamente 30 anos atrás, trinta anos e um mês… mês passado eu comemorei 30 anos como discípulo do Osho… Mandei uma carta e um belo dia chegou uma carta dele que dizia assim: “Suas profundezas são mais profundas que o Pacífico; suas altitudes são mais altas que os Himalaias. Uma vez você conheça suas altitudes e suas profundidades, a vida se torna nada mais do que gratidão”. E até hoje procuro permitir minhas altitudes e minhas profundezas… assim foi.

Maristela – Bhaskar, e a sua experiência com a Oneness? Como é que a Oneness chegou até você? Como que a Deeksha chegou a você e a sua primeira experiência com a Oneness.

Bhaskar – Me chegou Samvara em casa, um dia – muitos de vocês a conhecem, uma irmã minha, uma companheira de vida e discípula do Osho, morou na comunidade do Osho também, na mesma época que eu e até antes e… uma irmã, uma terapeuta maravilhosa, uma professora espiritual….. Então, ela chegou em lá casa e me disse: Rahasya (amigo sannyasin de Osho e devoto de Amma Bhagavan) me disse que ´há um casal na Índia que põe a mão na sua cabeça e você se ilumina´”. Aí eu falei UAUUUUU!!!!! Rsrsrsrs. E aí ela falou: “Eu acho que vou pra Índia, você acha que isso é muito louco?” Respondi: “Eu acho que sim, que isso é muito louco; por isso mesmo acho que você deve ir…e logo irei também.” Samvara foi pra Oneness e começou o processo dela de 21 dias. E aí… um belo dia me chega um e-mail de Samvara, no final de uma tarde de sexta-feira, que dizia: “Bhaskar, it just happens “ (“Bhaskar, simplesmente acontece” – traduzindo). E isso foi tudo que Samvara disse na mensagem, veja se pode uma coisa dessa!!!!!!!!!! Um absurdo, divino absurdo!!!!!! E então comecei a chorar, chorei muito… foi meu primeiro Deeksha, uma Deeksha por email; foi esse meu primeiro Deeksha, através de Samvara, por e-mail …Era um choro assim… como de uma “espera”, porque não era um choro de alegria, nem era choro de tristeza, parecia que era o choro de uma “espera”, o que os gringos chamam “longing”… e fiquei o final de semana trancado num quarto de hotel em Buenos Aires sem parar de chorar. Chorei no quarto de hotel o final de semana inteiro, sem comer… lembro que pedi uma comida que veio tão horrorosa, tão impossível de ver que eu passei o fim de semana tomando suco e chorando e… bom, consegui cumprir as coisas do trabalho na semana que entrou, voltei para Brasília e de lá fui para a Chapada dos Veadeiros, pra casa de Samvara. Fomos Niranjana e eu, e à noite, na hora de domir, Samvara perguntou se a gente queria receber a Deeksha antes de dormir.? “Claro, a gente veio pra conversar sobre isso”. E ela falou: “Então senta aí, ou deita, como vocês quiserem. Nós deitamos alí mesmo na cama de Samvara. Samvara tocou a cabeça de Niranjana. Quando tocou a mão na minha cabeça, bastaram dois segundos… meu corpo deu um salto… eu senti um … um salto… eu estava deitado, meu corpo saltou; o que senti parecia uma ventania subindo pela minha coluna e explodindo na minha cabeça, foi uma coisa … eu senti um vento forte que explodiu na minha cabeça e fez meu corpo saltar. O quarto de Samvara fica no andar de cima da casa, meu corpo saltou e eu saí em disparada pelas escadas. Meu corpo se movimentou em disparada pelas escadas. E lembro, obviamente, que Samvara veio correndo atrás. Eu acho que Niranjana não viu de cara o que estava acontecendo porque estava lá deitada, tinha acabado de receber a Deeksha. Samvara veio correndo escada abaixo atrás de mim, olhei pra ela… Samvara é uma amiga mais ou menos da minha idade, já passou dos 50… quando eu olhei pra cara dela eu a vi com quatorze anos de idade, assim, na minha frente com 14 anos de idade… Eu entrei ali numa dimensão de tempo totalmente distinto… eu olhava pra Samvara jovem, estava impactado, emocionado. E aí quando eu olhei pra fora, era uma noite muito linda! Quem vem à Chapada dos Veadeiros sabe o que é uma noite de estrelas na região… alí, sob aqueleas estrelas… nunca passei um tempo tão longo em estado tão alterado, com os sentidos tão alterados daquela forma. E assim foi minha primeira Deeksha e daí pra frente nada me era tão urgente e desejado como ir à Oneness. É assim até hoje; toda hora eu quero ir pra Oneness (rsrsrsrsrs). Desde então estou sempre me preparando para ir pra Oneness pra ficar com Amma Bhagavan e com os Dasas e com vocês… Tanto amor e gratidão por Amma Bhagavan!!!!!

Maristela –E lá na Oneness também…

Bhaskar – Foi sempre muito lindo ir à Oneness !!! Tive meus dois primeiros processos junto com Niranjana, processos individuais.. Passamos lá um mês e pouco na Oneness em cada uma destas vezes. Nosso Dasa, que na época se chamava Pragyanand (depois Bhagavan o passou a chamar Ashwin) hoje já não está com a gente na Oneness. Foram sempre processos lindos; lindo pra nós como casal, porque o processo era individual mas o vivemos juntos, num único quarto (onde ficávamos muito tempo), com o Dasa ali nos guiando. Nestes processos, durante quase um mês, todos os dias de manhã, recebíamos Deeksha de Cosmic Beings. Todas as manhãs éramos por eles abençoados, e nos deixavam sob a sombra de uma frondosa mangueira no Campus 1.Às vezes íamos sozinhos, às vezes com um grupo de não mais que dez pessoas que também estavam fazendo outros processos… e a gente deitava sob aquela mangueira totalmente “nocauteados”; Niranjana tinha viagens, fez grandes descobertas sob aquela mangueira. A gente se apaixonou por cada folha seca que caia no nosso corpo, pelo canto daqueles pássaros pretos, pela ladainha das Dasas mulheres que de longe faziam Homa cantando o Moolamantra. Ali vivi um enorme sentido de expansão de consciência, e impactante diluição da identificação com o corpo… . Todo dia acontecia uma coisa que eu chegava chorando no altar do meu quarto pensando que eu tinha me iluminado. No dia seguinte acontecia outra coisa e eu dizia: “Meu Deus, hoje sim a iluminação se deu, não ontem!” E no outro dia eu dizia outra vez: “Meu Deus, isso sim!!” Todo dia, todo dia eu pensava que era uma coisa mais definitiva, mais definitiva, maior… Um dia a gente teve um Darshan pessoal com Bhagavan e foi muito legal porque Niranjana não fala inglês direito; então, eu sempre sou (ou era) a pessoa que fala inglês no casal… mas ela é saidinha, vai falando com todo mundo, mas a gente tinha combinado que eu iria traduzir pra ela, pra Bhagavan, no Darshan pessoal que a gente tinha. Mas quando a gente entrou e sentou ali aos pés de Bhagavan, Mila desembestou a falar inglês e começou a falar com Bhagavan; Bhagavan perguntava sobre o Brasil e ela falava da Amazônia e foi uma conversa linda! E eu morria de rir porque Niranjana falava todo inglês possível. Mas quando a gente entrou na sala, Bhagavan levantou-se de sua cadeira, e com o sorriso mais lindo do mundo “Nossa! Vocês já chegaram muito prontos!” Foi a primeira coisa que Bhagavan falou quando nos viu. E aí sentamos aos pés dele e foi a maior conversa de Niranjana com Bhagavan sobre ecologia, política, Brasil, sobre o nosso processo… conseguiu não reclamar do marido (rsrsrsrrsrsr). Enfim… Bhagavan perguntou como estava nosso processo… a gente estava ali e eu fiquei muito emocionado, tinha muitas lágrimas nos olhos; eu sou um pouco mais chorão quando estou com Amma ou Bhagavan. Bhagavan contou muitas histórias muito engraçadas e nos fez sentir muito à vontade… e de repente, no final da conversa (de uma hora e vinte minutos), Bhagavan disse assim: “Bhaskar, você vai estar completamente iluminado em maio do ano que vem”. Essa é a primeira vez que eu conto essa história, a não ser na intimidade para duas ou três pessoas muito amigas. Agora estou contando para as redes sociais, oh! meu Deus do Céu!… rsrsrsrs …

* Bhaskar não revela o que Bhagavan disse à Niranjana.”É da intimidade dela”, diz Bhaskar.

Maristela – Nós te amamos, Bhaskar. Nós te amamos muito!!!

Bhaskar – Houve algo de muito curioso. Eu havia passado para nosso Dasa (Ashwin) uma listinha com onze coisas numeradas… um, dois, três, quatro… Niranjana não acreditava, morria de vergonha porque eram coisas assim: eu tinha deixado o CD no porta-luvas do carro (com o qual havia nos levado à cidade de Neeman para ver Amma) e aquele era um CD que eu gostava muito; o ítem 3 era pedir para Niranjana fotografar o templo às 6:00 hs da manhã com os primeiros raios do sol batendo no templo… eram pedidos assim. Onze pedidos, mas o primeiro, o número um da lista era “Iluminação”. Nunca estive na Oneness para outro propósito senão este… Não queria sair dali sem uma conversa concreta sobre o processo de Iluminação. Nos últimos três dias, eventualmente Ashwin tirava minha lista do bolso e enumerava o que já havia cumprido (rsrsrsrs… Oh, Dasaji!!), sempre com um sorriso maravilhoso! E quando a gente saiu desse Darshan (“Bhaskarji, você vai estar iluminado em maio do ano que vem”) , Ashwin olhou pra mim, tirou a listinha de dentro do bolso e falou: “Bhaskarji, este era o item número um da lista… pronto, resolvido!” e riscou o item número um da lista . Missão cumprida, assim como a entrega do CD que estava no porta-luvas.

Aqui há algo substancial para compartilhar. Recebi um presente muito grande que é o que pode importar, pois o resto é uma história pessoal. Mas a bênção que aconteceu nesse momento é que eu fui tomado (não é algo que você faça ou decida fazer)… fui tomado por uma absoluta confiança. Todo meu ser foi tomado por uma absoluta confiança… meu guru falou, então está dito. Eu só não posso agora é atrapalhar (rsrsrsrsr). É como se a minha percepção fosse: “Bhagavan só fala a verdade, então eu não posso atrapalhar a promessa dele. Então, eu fui ficando muito mais atento a tudo que pudesse “obstaculizar” a iluminação. E o que aconteceu foi que de repente… se durante algum tempo tudo que eu via eram questões, temas, conteúdos interiores, processos psicológicos, nesse processo do ver interior aquilo que se refletia em meu Ser já não eram conteúdos, questões, temas. Mas pura Consciência! É como se consciência tomasse consciência de si mesma, e as histórias de vida passaram a ser uma questão muito irrelevante, uma camada muito irrelevante da vida como um todo, tudo virou história, memória. Dois ou três anos depois, em um outro Darshan com Bhagavan, quando a iluminação já era vívida, ele me pediu que eu escrevesse a minha história, anotasse coisas que eu pudesse lembrar. É muito curioso porque a minha memória é muito ruim. Eu quase não tenho memórias… eu acredito que seja assim uma dificuldade normal que já apresentava, mas… depois da Deeksha… depois de um processo de eu habitar mais propriamente no “agora”, minha memória do passado (mesmo o passado mais recente) foi embora. Eu tenho dificuldade de reconhecer as pessoas, por exemplo….. Veja, faço um retiro de final de semana , me apaixono por completo pelas pessoas e na segunda-feira eu preciso ver uma foto delas para saber quem fez retiro comigo. Bhagavan pediu que eu escrevesse tudo que eu lembrasse… Eu perguntei a um Dasa, porque não consegui perguntar para Bhagavan na hora, por que seria que Bhagavan teria me feito esse pedido, essa instrução… e ele me falou que sabia que Bhagavan me pedira aquilo porque podia ser que um dia eu tivesse que ler as anotações para lembrar de minha vida. Quando eu comecei a escrever, comecei a ter um pouco mais de lembranças… E quanto mais eu escrevia, mais percebia que tudo era história: as coisas mais relevantes, as maiores vitórias, os maiores prazeres, as maiores perdas, as maiores dores, as maiores preocupações, todos os ciclos, em todos os momentos…histórias !!!! Percebi o ciclo de Brahma, Vishnu e Shiva de criação, existência e destruição/morte/dissolução, tudo isso então na minha própria história de vida. Como tudo nasce, tem o seu tempo de existência, desaparece, dá lugar a outras coisas que nascem, então todo o aspecto “impermanente” das situações de vida me veio de maneira muito vivencial, para muito além da simples compreensão intelectual de que tudo é impermanente. Foi quando passei a vivenciar de maneira muito transformadora a impermanência das coisas e a permanência da consciência. E desde então tem sido assim, um estado de “choiceless awareness”, “consciência incondicional”… que eu prefiro traduzir como “Presença Consciente”, ou simplesmente por Presença. Trata-se de um estado distinto do que costumamos experienciar como “consciência de…”, de alguma coisa. O que eu tenho vivenciado é uma consciência que não é consciência de algo, é apenas Consciência… tomando consciência da própria consciência e se refletindo nela mesma.

Maristela – A pergunta que não quer calar de forma alguma… Como você recebeu a notícia de que você estava sendo escolhido para ser um Meditador Oneness? Como foi a iniciação? O que aconteceu desde então?

Bhaskar – Eu estava na minha casa, no Moinho, passando um longo tempo sem sair de lá, nem para Alto Paraíso que fica a 14 kms de distância; acho que eu estava ali há quase dois meses sem sair de lá… Perdão, deixa-me contar esta história de trás para a frente… A primeira coisa que tenho a dizer é o que recebo de vocês, da maior parte de vocês que tem estado comigo seja presencialmente ou online… é lindo o que recebo de vocês!! … De verdade, do fundo do meu coração sinto enorme gratidão por tudo o que recebo de vocês quando sinto o nosso diálogo energético, quando a gente está meditando juntos presencialmente ou online. Sou realmente muito grato!!! O que recebo de vocês é lindo! Vocês são muito mais bonitos do que vocês podem ver. Estou tendo o prazer de ver cada um de vocês em sua face original… Quando estou com vocês na Oneness Meditation posso ver a face original de cada um de vocês. É lindo!!! É lindo!!! Eu não poderia receber maior presente no mundo do que me apaixonar por cada pessoa, e pela humanidade como manifestação divina.

Bom, mas um dia eu estava na minha casa, no Moinho, num período longo sem sair de lá… E aí, Vikramji (meu Dasa, nosso Dasa) telefona e todo feliz (porque os Dasas ficam sempre muito felizes quando vêm nosso crescimento) ele falou: “Bhaskarji, seu nome foi dito pelo Divino para que você seja Oneness Meditator”. E eu falei: “Nossa!!! Que lindo!!! Que honra!!!”. Então ele falou: “Sua iniciação vai ser amanhã de manhã. Amanhã às 11:00 da manhã, hora do Brasil, por Skype, comigo. Nós vamos fazer o ritual das Padukas”.

Aí eu fui para Alto Paraíso no dia seguinte; era sexta-feira de carnaval. Fui para Alto Paraíso, aí Vikram entrou, nos conectamos… Vikram perguntou: “Bhaskarji, você trouxe o seu material?” Eu perguntei: “Qual material, Vikram?” Ele falou: Para fazermos o ritual das padukas?” Eu falei: “Huummm, não entendi assim…pensei que você faria e eu acompanharia…”. Aí ele falou: “Então tá bom. Feche os olhos e nós vamos fazer o ritual das Padukas só visualizando”. Então ele narrava tudo que estava acontecendo…e eu via…via…

Eu estava na casa de um casal amigo, um casal super lindo (Satbodhi e Prashanto), fui tomado por uma energia linda e quando acabou o ritual de iniciação a casa dele estava absolutamente tomada de luz. Eles dizem que ficaram ouvindo a voz de Vikram de longe, porque eles foram para um quarto, mas ouviam a voz do Vikram de longe e tinham entrado em alto estado também. Só que a minha iniciação se completava da seguinte maneira: no dia seguinte, às 07:18 hs da manhã, porque no mesmo horário… no dia seguinte, às 07:18 hs da manhã eu tinha que dar Oneness Meditation pela primeira vez, por que Bhagavan iria estar naquele mesmo horário conectado a mim (não por Skype, mas energeticamente conectado comigo). Só que eu estava em Alto Paraíso e era sexta-feira de carnaval. Então eu tinha que arrumar uma “galera” disposta a essa coisa que ninguém conhecia, que ninguém sabia o que era OM – Oneness Meditation), no sábado de carnaval, às 07:18hs da manhã! Então, nove amigos maravilhosos toparam acordar sábado , às 06:30 hs da manhã e sentar diante de mim e olhar nos meus olhos!!! Então, foram nove pessoas! Aqui numa salinha pequenininha, numa pousada linda, a Alpha e Ômega que é a pousada de Alto Paraíso que tem um salão muito gotoso de meditação e esses nove amigos então receberam ali minha primeira Oneness Meditation. Depois, tomamos um café juntos e eu fui prá casa, super bem. Não tinha entrado em nenhum estado alterado… Mas quando eu cheguei em casa, Niranjana estava viajando, eu passei três dias sozinho, sem conseguir sair da cama. Houve um momento em que liguei a televisão e eu não entendia nada, como se estivesse na Rússia e tivesse ligado a televisão na Rússia. Eu não consegui entender o que se falava na televisão… desliguei. De vez em quando eu levantava e lograva caminhar até a cozinha para comer uma fruta. Sobretudo no primeiro dia passei com muitas dores no corpo. Essas dores caminhantes, que saem do ombro, vão para a perna, vem pela barriga e vão caminhando pelo corpo. Estatelado, completamente estatelado num silêncio interior mais absoluto que já experimentei na minha vida, mas com… o corpo era um imbróglio, o corpo era um problema! Não entendia porque que tinha corpo ali naquele momento, porque… o que o corpo vivia de desconforto, de estatelamento na cama era diametralmente oposto ao vôo que minha alma fazia de total bênção, bliss . O curioso é que hoje em dia estou com muito boa disposição física!!! Bhagavan me deu… eu saí desses três dias com uma disposição e uma disponibilidade física maravilhosas! Tenho viajado desde então, há cinco meses viajando pelo Brasil todo, por Argentina e por Colombia com uma disposição, com uma disponibilidade física impressionante! NOTA de Bhaskar, em revisão em fim de outubro: Foram 8 mese de viagens, incluindo ainda Chile , El Salvador e muitos lugares no Brasil, além de conferências para Dubai, Oman e Israel.

Durante a Oneness Meditation eu não sinto meu corpo! Posso ficar sentado ali durante três dias se precisar e… Mas Bhagavan me preparou direitinho! Durante três dias ele teve de trabalhar muito no meu corpo para eu poder ser um Oneness Meditator. Hoje eu percebo isso muito claramente.

* Revisão em janeiro de 2016: são agora 4 anos nos quais Bhaskar vem viajando por todo o Brasil e Américas do Sul e Central ininterruptamente com retiros, campos de meditação e OM – Oneness Meditation. Em 2012 Bhaskar foi iniciado para ta,bém facilitar o processo das Câmaras Sagradas, além de se haver formado como Advanced Trainer da Oneness University.

Maristela – Bhaskar, … é muito bom estar aqui com você! Esta sensação de aconchego, e a gente tem certeza que a gente ficaria a madrugada inteira lhe ouvindo…

Bhaskar – Quero dizer para as pessoas que estão me ouvindo que espero que a minha história pessoal possa fazer algum sentido para vocês, que possa dizer algo para vocês. Porque o que mais importa é algo que possa estar ressonando em vocês… Fora isso não faria o menor sentido a gente ficar uma hora falando sobre mim. É mais na esperança de que alguma coisa possa significar algo para vocês.

Maristela – Sem dúvida, Bhaskar, sem dúvida.

Pergunta da Iara Negrette – Qual é o seu estado nesse momento, Bhaskar?

Bhaskar – Iara, tem sido assim… tem sido Presença… Sabe, aquilo que digo que não é uma “consciência de…”, e muito menos uma consciência que escolhe isso ou aquilo, que prefere assim do que assado…. Sequer a questão da “aceitação” tem surgido. Se eu falasse em aceitação teria de admitir a possibilidade de não aceitação… mas a vida é como ela é – não há espaço para aceitar ou não-aceitar. É pura “choiceless awareness” o que posso dizer em palavras… uma “consciência sem escolha”. Tem sido muito assim, amiga. Muito aqui, agora, muito momento a momento, muito… É assim: agooooooooooooooooora!!!!!!!!! Eu me sinto sempre assim. Parece que é um agora no gerúndio. Parece que eu estou “agorando” todo o tempo. É assim que eu me sinto, Iara. Eu me sinto muito como que cravado no agora. Ë um conforto muito grande! Eu me sinto muito confortável. Andando pela vida com muito conforto.

Pergunta da Iara Negrette: Como você se sente durante a OM?

Bhaskar – Quando eu estou me preparando, a porta de entrada é nitidamente Amma Bhagavan. Eu me sinto, antes de entrar na sala de meditação, absolutamente tomado por Amma Bhagavan. É uma sensação física quase. É uma sensação muitas vezes bastante física. Depois, acontece uma Presença que muitas vezes transcende esta sensação inicial física de estar tomado por Amma Bhagavan. E aí entro normalmente em espaços onde não me sinto tomado por algo… eu, Amma Bhagavan, vocês, tudo se torna uma coisa só, puro campo de energia. Por isso que eu digo que Amma Bhagavan são a porta – no início é assim, eu sinto a linda presença de Amma Bhagavan me entrando, me tomando, me levando… aquele estado vai acontecendo e de repente eu sou jogado para um estado onde não há “eu”, nem como “canal para uma Presença”, o eu tomado ou possuído por uma Presença. Acaba qualquer dualidade nesse sentido. São os momentos de pico da Oneness Meditation. São momentos de grande pico! Pelo menos da maneira como eu sinto a energia circulando entre meu corpo e o salão. Acontece também coisas curiosas. Mas o mais importante é isso: pura Presença …… De repente o contato com algo que é só Presença, do ponto de vista energético, causa esse impacto todo em vocês. Para mim são experiências místicas muito fortes! Porque acontece uma desaparição, acontece um contato de coração para coração com vocês que é absurdamente impactante pra mim, é amor demais !!!!! Sou tomado por muito amor, por muita compaixão… e quando digo compaixão, não é uma compaixão porque eu me conecte com o sofrimento de vocês… não! É uma compaixão de quem está caminhando junto com todos rumo à eternidade. É uma coisa assim, talvez por saber que nessa caminhada acontecem dúvidas, dores, momentos de ficar sem chão, mas é uma compaixão de companheiro de viagem. Vejo-me em vocês, por estar junto de vocês e sermos a mesma coisa. Eu perco muito o contato com meu corpo, eu não sinto meu corpo, e é muito engraçado porque eu tenho visto, obviamente, recebo feedbacks, que meu corpo se movimenta muito na OM, sei que meus braços gesticulam bastante, meu corpo se mexe… a Presença tem me pregado umas surpresas deliciosas, às vezes, muitas vezes interage com as pessoas, chama, abraça, dá presentes. Tudo acontece na minha consciência. Tenho consciência de absolutamente tudo o que está acontecendo, mas não tenho absolutamente nenhum comando sobre aquilo. Então, quando digo que tenho experiências muito místicas é porque eu experiencio ali com uma voltagem muito alta a inexistência do “fazedor”. O “fazedor” desaparece por completo numa situação onde há muita ação. Então, esse contraste de muita ação e até de muita emoção com nenhum sentido de estar fazendo algo ou de estar sentindo algo, é o que estou chamando aqui de “ experiência mística”, porque é uma vivência muito radical de que não há um fazedor, de que não há ninguém ali, embora muita ação se dê.

Amma Bhagavan me dão um presente incrível, que é o fato de nessa experiência eu não acessar os conteúdos das pessoas participantes. Eu nunca me conecto com o conteúdo das pessoas que estão diante de mim. Então eu posso levantar, te chamar, te dar um abraço, um beijo, uma flor, ou um chocolate se tiver um chocolate no altar… rsrsrsr…. qualquer coisa pode acontecer, pode ser que eu sinta uma luz muito forte ali nos participantes; eu sinto vários focos de energia muito fortes; sempre há lugares ou pessoas com quem a energia sempre vem especialmente forte no contato mas sem nenhum conteúdo que eu acesse (tal pessoa está vivendo tal dor, ou está à beira da iluminação, ou está à beira do suicídio, ou está passando por uma doença; não me vem nada disso). É muito legal isso de eu estar livre dos conteúdos porque aí torna nosso amor e nossa corrente de amor muito mais livre.

Pergunta da Vilma – Bhaskar, algum dia você já imaginou que você estaria vivendo hoje, nesse momento?

Bhaskar – Muito sinceramente, já ! Quando eu experimentei a primeira vez a presença dos Cosmics Beings, na Oneness, eu me sentia como se chegando em casa. Eu imaginei sim. Imaginei com todas as fontes e forças de meu ser: as mais egóicas, as mais puras, as mais superiores à minha própria capacidade de desejar algo, todas as fontes de emanação de desejo, ou de… todas, todas as fontes, aquelas que a gente possa considerar… todas, todas elas., inclusive as egóicas. De todas as fontes do meu ser desejei me assentar nesse estado de silêncio e quando me sentia muito em casa, e quando me senti energeticamente abraçado pelos Cosmics Beings, e tocado por Bhagavan muitas vezes tive a visão de estar assim meditando com muita gente, com muitas pessoas, com multidões e é muito curioso porque na minha iniciação na Oneness, durante a minha iniciação a mensagem que me foi transmitida foi “imagine-se meditando com muita gente; imagine-se dando Deeksha para multidões, para uma multidão de pessoas”. Toda minha iniciação foi com esse mantra: “se veja dando Deeksha para uma multidão de pessoas”. Então, muitas vezes eu tive sensações ou visões.

Chegou porque era hora… porque podia chegar. Eu me sinto muito confortável, incrivelmente confortável.

Maristela – Gratidão, Bhaskar! Gratidão!


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